Marcos Palácios, professor de Jornalismo na Universidade da Bahia e jornalista profissional, veio ao Porto discursar sobre a relação entre o jornalismo e a memória.
A conferência decorreu no pólo de Ciências da Comunicação da Universidade do Porto, na Quinta-feira, 29 de Abril. O jornalista apresentou o tema "Jornalismo e memória: estabelecendo contextos e alimentando a história".
O professor acredita que, ao contrário do que se tem assumido, "cada vez mais, a memória surge como um elemento directo nos trabalhos jornalísticos", pondo em causa o paradigma de actualidade, segundo o qual "o jornal de ontem só serve para embrulhar peixe". Mas assume que “a relação entre jornalismo e memória pode parecer paradoxal”, porque, nos dias de hoje, é a velocidade que importa, e não a duração dos acontecimentos.
Para Palácios, o jornalismo não é apenas um"mecanismo de produção da actualidade", ou "um lugar de agendamento imediato", mas também "um reservatório de memória" que regista o quotidiano.
O jornalismo contemporâneo foi outro dos temas abordados na conferência. Marcos Palácios acredita que, actualmente, existe uma “superabundância” de informação, até porque a Internet possibilita a divulgação crescente e em tempo real das notícias. Para o jornalista, o que escasseia não é, portanto, a informação, mas sim a atenção do público. Porém, o professor não teme “o fim do jornalismo”, consequência deste progresso tecnológico, porque "quanta mais informação há, mais mediadores são precisos".
Marcos Palácios concluiu a conferência evidenciando as consequências da relação entre o jornalismo e a memória no acesso à informação. Refere, como exemplo, que, hoje em dia já é necessário pagar para aceder aos arquivos dos jornais mais antigos, mesmo em suporte online.
domingo, 30 de maio de 2010
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